Pular para o conteúdo principal

Postagens

A Artemis II é cara? Espere até ver quanto custa uma guerra

Enquanto muitos se maravilham com a missão Artemis II lançada pela NASA em 1° de abril de 2026, outros voltam para um velho chavão contra a exploração espacial: para que gastar tanto dinheiro com viagem ao espaço se temos tantos problemas aqui na Terra como fome, miséria e desigualdade? É uma pergunta legítima, afinal, não devemos negligenciar pessoas passando por dificuldades, sobrevivendo sem dignidade e com a morte à espreita incessantemente. Como humanos deveríamos estar incansavelmente alertas para todo tipo de violação de direitos básicos para uma vida digna e plena. Mas será que essa crítica está mirando no alvo correto?  Vamos a alguns dados. O investimento no projeto Artemis (5 missões inicialmente previstas) é de 55 bilhões de dólares . Dinheiro pra chuchu, como diria minha mamãe. No câmbio de hoje, daria para comprar mais de 340 milhões de cestas básicas no Brasil, isso para fazer um paralelo, em outros países pode até dar mais. Certamente não resolveria o problema da ...

Pompeia: A cidade, a fonte, um viajante incauto.

  Fonte: acervo pessoal do autor Eu caminhava por Pompeia absorto na narrativa da catástrofe . A erupção do Vesúvio impunha-se como chave de leitura de tudo: as ruas interrompidas, os corpos moldados no vazio, a cidade fixada no instante do fim. Pensava em como aquela interrupção violenta teria atravessado a vida cotidiana — o almoço abandonado, a porta não fechada, o gesto que não chegou ao fim. Pompeia, assim percebida, era antes de tudo uma cidade morta , preservada menos por cuidado do que por desastre. Foi então que, em meio ao percurso, cheguei à Casa della Fontana Grande , na Via di Mercurio. E ali, a lógica do fim perdeu força. A fonte não falava de ruína, mas de permanência. Diante dela, a cidade deixou de ser o cenário congelado de uma tragédia para recuperar algo anterior à cinza e à poeira da história: uma cidade viva , organizada em torno do prazer, do olhar, da água que corre. O ninfeu, datado do século I d.C., ocupa o fundo da casa como um ponto de convergência si...

O dia em que George Dantzig não soube que era impossível — e por isso resolveu

Ano de 1939. A manhã era fria em Berkeley, e a névoa típica da baía ainda pairava sobre o campus da Universidade da Califórnia como um véu fino. Os sinos da torre da Sather Tower já haviam tocado há alguns minutos quando George Dantzig , um jovem de cabelos escuros despenteados pelo vento e olhos ainda pesados pelo cansaço, subia apressado os degraus de pedra do antigo prédio de ciências exatas. Ao entrar na sala de aula, tentou não chamar atenção. O professor Jerzy Neyman , de terno escuro bem alinhado, escrevia no quadro com firmeza, traçando símbolos matemáticos com uma elegância quase coreográfica. A sala estava silenciosa, exceto pelo som do giz riscando o quadro e o leve tilintar de folhas sendo viradas pelos estudantes. George se acomodou no fundo, tirou o caderno do bolso do casaco surrado e olhou para frente. O quadro já exibia dois problemas longos, com equações densas e estruturas algébricas intimidadoras. Achando que eram parte da tarefa da semana, ele os copiou sem pensa...

REVISÃO PELOS PARES: QUE BICHO É ESTE?

 Publicado inicialmente em:  Brazilian Journal of Biomotricity, vol. 2, núm. 1, março, 2008, pp. 1-2. O Brazilian Journal of Biomotricity tem basicamente dois perfis de leitores: o pesquisador, que vem atrás da informação científica para usar como suporte para seus futuros trabalhos, e o leitor não pesquisador, aquele que procura os trabalhos para se atualizar, aprender novas técnicas ou apenas tomar conhecimento da existência delas. Esse leitor não pesquisador pode não ter noção do que é enviar um trabalho para uma revista científica arbitrada pelo sistema de revisão pelos pares ( peer review ). Mas vamos tentar transmitir um pouco do que é isso. O pesquisador passa muito tempo tentando conseguir as condições para realizar seu trabalho. Precisa conseguir verba, equipamentos, assistentes, aprovação do comitê de ética, etc. Tudo para começar o trabalho de coleta de dados. Após a coleta de dados gasta um grande tempo analisando os dados e depois interpretando estes dados. Compar...

O Século XXI Acabou?

Muitos intelectuais assinalam que os séculos de fato não se comportam como séculos cronológicos. Como exemplo, o século XX teria iniciado com as grandes guerras e terminado com a queda do muro de Berlim. Se não combinarmos que há um vácuo temporal ou vazio escalar numérico, o século XXI teria começado ali, o que muitos contestam e dizem que o século XXI começou em setembro de 2001 (Torres Gêmeas) outros que começa em 2008 (Crise dos Subprimes ). Para minha argumentação as datas específicas em si não são tão relevantes, mas sim os conceitos, ou seja, em qual “século” posicionaremos as mudanças na ordem geopolítica que estão ocorrendo em 2025? Como as referências citadas posicionam o início e fim dos séculos em momentos históricos que cambiaram a geopolítica, eu quero chamar a reflexão para quem ainda não notou, que está ocorrendo uma ruptura brusca nas coisas como eram. Claro que desde a crise de 2008 podemos observar rachaduras na estrutura da organização planetária, com várias nuances...

Repercussão - Como manter a memória em dia na Terceira Idade

Semana passada me solicitaram um texto sobre envelhecer bem. Foi uma tarefa complexa pois o limite de caracteres era exíguo para a imensidão do assunto. Aceitei o desafio e fiz o meu melhor para em poucas linhas dizer muita coisa. Hoje trago aqui a repercussão desse texto que foi republicado ou comentado em (até agora) 30 jornais, revistas ou portais de notícias. Agradeço as meninas da LC que além de me desafiar contribuíram muito para a divulgação do texto. Seguem as imagens em ordem cronológica. Piauí Hoje! (02/07/2024) O Estado Acre (02/07/2024) ABCD Real (02/07/2024) Portal Influxo (02/07/2024) Jornal Cruzeiro do Sul (03/07/2024) PNB Online (03/07/2024)   Portal WMais (03/07/2024) JCNET (03/07/2024) 071NEWS (03/07/2024) Blog da Doris Pinheiro (04/07/2024) Jornal de Barretos (04/07/2024) Folha de Boa Vista (04/07/2024) GiroMT (04/07/2024) A Redação (04/07/2024) A Crítica de Campo Grande (04/07/2024) O Guaíra (05/07/2024) Jornal Folk (05/07/2024) Jornal Imagem da Ilha (05/07...

Como auxiliar uma população cada vez mais idosa?

  Um dos principais pesquisadores sobre creatina no mundo, Marco Machado mostra como o composto de aminoácidos reduz os impactos de problemas físicos e cognitivos nos idosos   Se a tendência mundial é que a população seja cada vez mais idosa, como tornar o envelhecimento um processo saudável para reduzir problemas sociais, políticos e econômicos? O pesquisador, professor universitário e profissional da Educação Física, Marco Machado , alerta para a necessidade de pensar estratégias que garantam o bem-estar da terceira idade e diminuam as consequências de doenças durante um tempo maior.   Por isso, reuniu resultados de duas décadas de estudo no livro Creatina e Envelhecimento , um compilado didático com informações para guiar todos aqueles que buscam mais qualidade de vida. Pesquisador do tema há 20 anos e considerado um dos principais cientistas sobre o composto de aminoácidos no mundo, de acordo com a organização estadunidense Expertscape, responsável pelo mape...

Tudo que você precisa saber para ser um negacionista (2024)

Tudo que você precisa saber para ser um negacionista (editora CRV, 2024). Texto da 4° capa Prof. Dr. Paulo Henrique M S Azevedo – Universidade Federal de  São Paulo Atualmente somos bombardeados diariamente por informações, sejam elas sobre saúde,  esportes, política, ciência etc. Com tantas informações é difícil distinguir quais são verda deiras e  quais são falsas. Para reduzir a chance de sermos enganados precisamos ser céticos. Antes de  aceitar prontamente uma informação apenas porque nos agrada, duvidar da sua veracidade é  necessário. Isto é ser cético! Ser cético é pedir e buscar por informações de qualidade que  comprovem ou refutem uma dada informação que nos foi passada. Informação de qualidade  precisa ser perene, interindividual e reprodutível. A partir da informação confiável aceitaremos  ou não as informações que nos chegam, e tomaremos a melhor decisão possível. Assim  afastamos o negacionismo, que é o ato de não aceitar os fa...

Sobre galinhas e EaD

Quando criança adorava ler quadrinhos. Era para mim uma coisa fantástica que me acompanha até hoje. Sou fã de muitos HQs, ou gibis como era mais comumente chamados na época, e se não leio com tanta frequência é por causa daquelas coisas que acontecem por virarmos adultos bobos e sem imaginação. Quase sempre nas edições dos quadrinhos mais tradicionais desta época (Disney, Turma da Mônica etc) encontrávamos nas páginas centrais o anúncio da figura abaixo. Nessa época chamávamos de cursos por correspondência, como o nome já diz, você preenchia a ficha de inscrição e enviava por carta com um cheque (Ixi, o povo da geração alfa já desistiu aqui) e recebia pelo mesmo modo manuais com aulas sobre o assunto escolhido. Após fazer uma prova recebia, também via correios, um diploma ou certificado. Demais, não é? Bem, a tecnologia evoluiu muito. Cartas e cheques são coisas praticamente extintas como os dinossauros. Mas... (e lá vem a conjunção adversativa, fala serio Marco, trauma de infância?) n...

Férias

Como todo bom mortal, este que aqui vos escreve fará um intervalo para vivenciar momentos plenos com a família. Mas em 2025 voltamos para a 2° temporada. Minha sugestão para vocês e reler alguns dos textos anteriores ou ver se ficou algum para trás. Agradeço enormemente a todos que leram, debateram e compartilharam as postagens do blog. Um Feliz Natal e um Ano de 2025 com muito mais leituras, saúde e felicidade para todos!

Caminhar ou correr? Nem tudo é tão simples

Hoje vamos sair um pouco da esfera filosófica, mas sem nos afastarmos do campo das reflexões. Vamos pensar em como a mídia tradicional por vezes falha em difundir conceitos e conselhos sobre exercício físico, atividade física e saúde.  Muito oportuna a coluna traduzida do NYT sobre caminhar ou correr (25/11/2023) . Já são descritos na literatura científica os benefícios de praticar exercícios físicos com frequência. Contudo, gostaria de pontuar 2 itens que não foram contemplados na coluna. O primeiro é sobre a prescrição e acompanhamento do exercício. Na coluna é apresentada uma progressão que poderíamos chamar de genérica, o principal questionamento é que existem características individuais que interferem nessa progressão. Fatores como idade, histórico de prática de exercícios, qualidade do sono e alimentação, doenças, uso de medicamentos, postura e equilíbrio entre outros, irão determinar o quanto se pode adicionar de exercícios a cada intervalo de tempo. É arriscado usar uma ún...