Enquanto muitos se maravilham com a missão Artemis II lançada pela NASA em 1° de abril de 2026, outros voltam para um velho chavão contra a exploração espacial: para que gastar tanto dinheiro com viagem ao espaço se temos tantos problemas aqui na Terra como fome, miséria e desigualdade? É uma pergunta legítima, afinal, não devemos negligenciar pessoas passando por dificuldades, sobrevivendo sem dignidade e com a morte à espreita incessantemente. Como humanos deveríamos estar incansavelmente alertas para todo tipo de violação de direitos básicos para uma vida digna e plena. Mas será que essa crítica está mirando no alvo correto? Vamos a alguns dados. O investimento no projeto Artemis (5 missões inicialmente previstas) é de 55 bilhões de dólares . Dinheiro pra chuchu, como diria minha mamãe. No câmbio de hoje, daria para comprar mais de 340 milhões de cestas básicas no Brasil, isso para fazer um paralelo, em outros países pode até dar mais. Certamente não resolveria o problema da ...
Fonte: acervo pessoal do autor Eu caminhava por Pompeia absorto na narrativa da catástrofe . A erupção do Vesúvio impunha-se como chave de leitura de tudo: as ruas interrompidas, os corpos moldados no vazio, a cidade fixada no instante do fim. Pensava em como aquela interrupção violenta teria atravessado a vida cotidiana — o almoço abandonado, a porta não fechada, o gesto que não chegou ao fim. Pompeia, assim percebida, era antes de tudo uma cidade morta , preservada menos por cuidado do que por desastre. Foi então que, em meio ao percurso, cheguei à Casa della Fontana Grande , na Via di Mercurio. E ali, a lógica do fim perdeu força. A fonte não falava de ruína, mas de permanência. Diante dela, a cidade deixou de ser o cenário congelado de uma tragédia para recuperar algo anterior à cinza e à poeira da história: uma cidade viva , organizada em torno do prazer, do olhar, da água que corre. O ninfeu, datado do século I d.C., ocupa o fundo da casa como um ponto de convergência si...